Sozinha
Eu sempre fui uma pessoa muito cuidadosa e atenta, por isso eu não faço ideia de como vim parar nesse lugar. Eu não me lembro de nada, só sei que acordei aqui, nessa sala escura e pequena.
Tem mais alguém aqui comigo, eu consigo ver a silhueta. Parece ser outra menina, mas ela não se mexeu até agora, não deve ter acordado ainda. Eu não tenho coragem de levantar, afinal, não sei o que pode acontecer comigo caso eu dê sinal de vida, e eu prefiro não arriscar até entender o que está acontecendo.
Não sei quantos minutos já se passaram, mas em algum momento a luz do dia começa a entrar por um buraco no topo da parede e eu consigo ver com mais nitidez. É então que eu me seguro para não fazer nenhum barulho.
Realmente tem uma outra garota aqui comigo, mas ela está irreconhecível, que tipo de monstro faria isso com alguém? Como a família dela vai se sentir? Quem será que ela era? Como chegou aqui? Como eu cheguei aqui?
Eu preciso dar um jeito de sair desse lugar antes que eu seja a próxima. É isso, vou ter que descobrir como fugir. Esse lugar não tem uma única janela, além do buraco na parede, pelo qual eu nunca conseguiria passar, e a porta de metal está tão enferrujada que eu tenho medo de tentar abri-la e chamar atenção com o barulho que ela faria.
Mas e essa menina? Mesmo ela estando morta, eu não conseguiria deixá-la aqui assim, sem dignidade nenhuma.
Não, eu preciso sair, e chamar ajuda, alguém que saiba o que fazer.
Não sei, algo em mim não consegue ser tão egoísta assim. Levanto com muito cuidado, e me aproximo da menina. Os cabelos loiros, que algum dia devem ter sido igual aos meus, estão manchados de vermelho. O rosto não existe mais, virou uma massa esmagada. É então que de perto eu finalmente consigo ver o seu braço. Mesmo com todas as perfurações, é possível ver que ela tem uma marca de nascença igualzinha à que eu tenho...
Não!